Como definir a pista em uso

Como definir a pista em uso

Um assunto tão simples e que, mesmo assim, gera tantas dúvidas nos iniciantes na aviação virtual. Neste post, você aprende macetes definitivos sobre como definir a pista em uso para pouso ou decolagem em qualquer aeroporto do mundo.


A regra básica sobre como definir a pista em uso é muito simples. Você deve decolar ou pousar com o vento contra ou o chamado “vento de proa”.

Vento a favor ou o chamado “vento de cauda”, dependendo da intensidade, representa um risco às operações de pouso ou decolagem. Portanto, evite-o tanto quanto possível!

Assista aos vídeos

 

 

Macetes de como definir a pista em uso

1. Declinação magnética

Tenha sempre em mente que uma pista tem sua proa balizada em norte magnético. E, para definir a pista em uso, devemos antes saber a direção do vento. Esta, por sua vez, é indicada no METAR (nosso próximo tema) em norte verdadeiro.

A conversa de verdadeiro para magnético deve levar em conta a declinação magnética do aeroporto. Essa informação é sempre encontrada nas cartas ADC.

Quando a declinação magnética é a oeste, você soma o valor dela ao vento indicado no METAR. Quando é a leste, você diminui.

Exemplo: Florianópolis (SBFL), declinação magnética de 20º a oeste. Se encontramos um METAR indicando vento 09010kt, então o vento na pista (magnético) é 11010kt, ou seja, 110 graus a 10 nós.

Como definir a pista em uso

Para definir a pista em uso, procure sempre o vento de proa

2. Encontrar a direção do través

Agora temos de saber qual é o través da pista, ou seja, a direção magnética que forma um ângulo de 90º com a pista. Para isso, fazemos uma conta também muito simples.

Exemplo: Florianópolis (SBFL). A pista principal tem os designadores 14 e 32, ou seja, 140º e 320º. Para achar o través, basta adicionar ou subtrair 90º, independente do designador. Então, 320º – 90º = 230º. Por consequência, o outro través é 50º.

De posse dessa informação, pronto!, você já tem condições de definir a pista em uso. Como? Com uma conta de subtração muito simples.

Diminua a direção do vento da direção da pista. Se o resultado for menos de 90, aquela é a pista em uso. Se o resultado for mais de 90, a pista em uso é a contrária.

Exemplo: Florianópolis (SBFL). Pista 14 (140º). Pista 32 (320º). Vento na pista 110º. Logo, 320 – 110 = 210. Portanto, a pista 14 é a pista em uso, porque 140 – 110 = 30.

Outro exemplo, agora com a “lógica” completa: Guarulhos (SBGR). Pista 09 (94º). Pista 27 (274º). Declinação magnética de 21º a oeste. Vento no METAR de 17008kt. Vento na pista 19108kt. Diminuindo 274 – 191 = 83, que é menor que 90. Portanto, realmente a pista 27 é a mais indicada nesta situação, porque 191 – 90 = 101, que é maior que 90.

Como definir a pista em uso com vento calmo

ICA 100-37 (Serviços de Tráfego Aéreo) define as regras de pista em uso com vento fraco ou calmo

Como definir a pista em uso com “vento fraco”

Foco dos maiores conflitos no ambiente virtual, o vento fraco (> 6kt) ou calmo (0 kt) dá maior liberdade aos pilotos e controladores na hora de escolher a pista em uso. Como nem sempre há controladores virtuais para ordenar os pousos e decolagens, normalmente é nestas situações que o “caos” se instala.

Mas se estivermos cientes do que diz a ICA 100-37 – Serviços de Tráfego Aéreo, podemos compreender melhor a forma correta de operação numa condição de vento com intensidade inferior a 6kt. Vamos ver as principais partes do regulamento sobre isso.

6.10.3 Na seleção da pista em uso, a TWR deverá considerar outros fatores pertinentes além da direção e da velocidade do vento na superfície, tais como:
a) os circuitos de tráfego do aeródromo;
b) o comprimento das pistas; e
c) os auxílios para a aproximação e pouso disponíveis.
6.10.4 Se o piloto em comando da aeronave considerar que a pista em uso não é apropriada para a operação que tenha que realizar, poderá solicitar autorização para usar outra pista.
6.10.5 Quando o vento na superfície for de velocidade inferior a 10km (6 nós), as aeronaves serão normalmente instruídas a usar a pista que oferecer maiores vantagens, tais como: maior dimensão, menor distância de táxi etc. Entretanto, independente dos valores, a direção e a velocidade do vento na superfície serão sempre informadas às aeronaves.

Agora que você já conhece todos os macetes sobre como definir a pista em uso, é hora de colocá-los em prática. Dê uma passada pelos aeroportos no Google Maps ou diretamente nas cartas ADC, e treine definição de través, simule várias direções de vento e faça os cálculos de pista em uso aprendidos aqui.

Ah, lembre-se!

A proa da pista “vai” para aquela direção. O vento indicado no METAR “vém” daquela direção. Muita gente confunde isso e, por causa dessa confusão é que acaba se equivocando ao determinar qual a pista em uso.

Exemplo: Florianópolis (SBFL). Pista 14. Quando você decola dela, você vai para 140 graus. Vento no METAR 09010kt. Declinação magnética: 20º W. Vento na pista 11010kt. O vento vem de 110 graus. Como a diferença é de apenas 30 graus, sim, ele é um vento contra. É um vento cruzado, mas é contra. Pista em uso 14!



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Sobre Felipe Faria

Tem 37 anos, é natural de Florianópolis e residente em Joinville. Apaixonado por surfe, música e aviação. Criou e mantém o site e o canal no YouTube Aviação Virtual Para Iniciantes para, principalmente, ajudar a quem está começando neste hobby.